psicopedagogia

O Cyberbullying – O que os Pais precisam de saber

No passado dia 20 assinalou-se o dia mundial do combate ao Bullying. Um tema que, infelizmente, está cada vez mais na moda, que afecta milhares de jovens e  deixa pais desamparados sem saberem qual a melhor forma de actuar.

Porém, existe um abusivo uso desta palavra entre jovens e pais, que nem sempre é utilizado com precisão. Episódios transitórios de agressividade nas escolas são uma constante e devem ser entendidos no seu contexto da normal interacção entre jovens. Pelo facto, do seu filho ter sido agredido na escola por um colega pontualmente, fruto dum arrufo no intervalo escolar, não deve, a situação, ser rotulada como ato de Bullying.

O Bullying é algo mais profundo, mais devastador em termos físicos e/ou psicológicos. O Bullying pressupõe um conjunto de comportamentos sistemáticos de agressão deliberada, voluntária e prolongada no tempo, que visam exercer danos e tirar prazer dos prejuízos. O agressor sabe que vai voltar a agredir, a utilizar a violência para intimidar e manter o domínio territorial. Não se trata de um descontrolo momentâneo ou de uma zanga ocasional, é raiva sistemática utilizada com intenção.

Mas se há dez, quinze anos atrás, falava-se apenas em Bullying, em que a agressão acontecia exclusivamente em contexto escolar, atualmente, a criança que é agredida na escola, poderá continuar a ser abusada pelo agressor em casa, através do uso da tecnologia.

Entramos então, num novo mundo de agressão – o Cyberbullying – mais devastador em termos psicológicos.

O Cyberbullying constitui uma forma de agressão intencional, utilizando formas electrónicas de contacto, de forma repetida, para deliberadamente agredir, perseguir, intimidar, ameaçar, humilhar alguém que não se consegue defender facilmente.

Enquanto que num espaço físico, o que é agredido pode ter formas e estratégias para evitar o que abusa e pôr fim à dinâmica, no mundo virtual, a exposição e a humilhação que daí resultam, têm um peso mais profundo na dor psicológica do abusado. Na Internet, tudo fica perpetuado e exposto para uma rede sem fim de pessoas.

O que os pais precisam de saber? O que precisam de fazer?

Os pais têm que ter uma clara consciência que a partir do momento que permitem que o filho aceda à tecnologia seja através do computador, tablet ou telemóvel, ele fica exposto. Como tal, é crucial que desde o primeiro momento, os pais estabeleçam algumas regras de forma a prevenir o Cyberbullying.

  1. Definir Regras

É extremamente importante estabelecer regras de utilização. É importante que estabeleçam de forma clara, quais os sites que o filho pode aceder e que esses sites tenham o controlo parental. É importante escreverem essas regras para que haja um conhecimento e consentimento de ser responsável, ser respeitoso e ser respeitável. O local onde utiliza os dispositivos electrónicos é outro factor a considerar. Os pais deverão evitar que o filho esteja sozinho no quarto a navegar na Internet. Deverá fazê-lo num local da casa, em que todos circulem ( a sala, por exemplo) de modo a que os pais possam passar e ver o que o filho está a fazer. Não precisam de estar “em cima”, mas é importante que ao circularem na divisão, percebam ao que ele está aceder.

2. Promover o Diálogo e o Debate

No sentido de prevenir o Cyberbullying, é importante que os pais promovam um diálogo que vise estabelecer linhas de comunicação e fortalecer a confiança para que os seus filhos se sintam à vontade para recorrer a vocês, se pressentirem ou se surgirem problemas. Este diálogo não se pode resumir a uma única conversa. tem de ser algo contínuo e regular. Uma boa estratégia é discutirem o assunto sobre os perigos e os riscos da publicação de fotos e vídeos nas redes sociais, através da visualização de filmes, de pequenas campanhas de prevenção(esta é uma extraordinária campanha desenvolvida pela Interpol aqui).

3. Seja um Exemplo a seguir

Começo por postar aqui um vídeo que demonstra a importância da educação parental pelo exemplo. Os nossos filhos são aquilo que vêm. Modelar os seus comportamentos é sem dúvida, a mais poderosa influência que pode dar aos seus filhos. Não chega conversar se depois não tem um comportamento adequado na sua vida familiar e online. Não deverá evidenciar comportamentos de cariz agressivo ou intimidatório como gozar, insultar ou difamar terceiros, não deverá utilizar o telemóvel enquanto conduz, não deverá ter o telemóvel às refeições. Se em casa estabelecer regras no uso dos aparelhos electrónicos, promovendo a relação, o vínculo, estará certamente a transmitir a ideia do que é importante: a comunicação cara a cara, o diálogo, o respeito e o afecto.  Como tal, é nisso que o seu filho vai acreditar à medida que vai crescendo e desenvolvendo a sua estrutura de personalidade. Os seus gostos pelo acesso à tecnologia vão estar lá e fazer parte da sua vida sim, mas de uma forma muito mais regrada e controlada.

4. Participe na Vida Escolar dos seus Filhos

Os pais, por norma, tendem a participar muito na vida escolar dos filhos em idade pré-escolar, mas à medida que eles vão progredindo pelos diversos ciclos de ensino, vão-se gradualmente afastando.

É muito importante que os pais conheçam os colegas de turma todos os anos, participem nas actividades desenvolvidas pela escola, marquem reuniões regulares com os professores. É necessário que percebam as dinâmicas da escola, a cada ano que passa. Por um lado, os filhos sentem-se compreendidos e protegidos, por outro, ao estarem mais presentes na vida escolar dos filhos, os pais, conseguirão perceber mais facilmente alterações que possam ocorrer entre os seus pares.

5. Atenção aos Sinais de Alerta

É de extrema importância que os pais conheçam os amigos dos filhos e os respectivos pais e que criem algumas ligações. Uma das formas de perceber como eles funcionam é proporcionar um ambiente em casa não muito “efeito polícia” para que o seu filho se sinta bem em levá-los lá para casa. Ao ter conhecimento da rede de amigos dos seus filhos, será mais fácil para si identificar alterações de comportamentos que possam ocorrer.

É de extrema necessidade que enquanto pais, estejam bem informados sobre o que é e como funcionam as redes sociais como o facebook, whatsApp, Instagram, Snapchat, entre outros. Saiba o que se diz sobre os seus filhos na Internet e o que estes dizem, fazem ou escrevem, criando alertas no Google, sendo amigo deles nas redes sociais, mas sem participar com likes ou comentários, pois isso poderá ser constrangedor para eles, principalmente na adolescência. Estar lá de forma invisível, mas atenta ao que se vai escrevendo.

Ensine o seu filho a proteger-se na Internet, nas suas redes sociais. Ensine-o a bloquear ou denunciar determinadas pessoas que tenham comentários, imagens ou vídeos inapropriados.

Aconselho vivamente a leitura deste livro . Lá terão toda a informação necessária sobre o mundo do cyberbullying, escrito para pais e educadores.

Mas acima de tudo, é necessário existirem pais informados e participativos na vida escolar dos seus filhos. A desculpa que dão de não terem tempo ou não saberem navegar na Internet ou andarem pelas redes sociais não pode existir. É muito, muito importante que os pais conheçam e usem a tecnologia a seu favor para poderem ensinar através do exemplo.

 

Vera Oliveira

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s