Maternidade

Maternidade Bipolar

Foram algumas semanas de ausência por aqui, eu sei. Férias e preparação de workshops, levaram a que o blog ficasse para último plano.

Mas hoje, porque estou em modo nostálgica, não falarei de trabalho, falarei sim da maternidade. Tema igualmente importante, que tocará a todas as que são mães, certamente. Tema simples, mas só no nome mesmo. De simples a maternidade não tem nada. É bastante complexo, diria eu. Principalmente, quando tocamos no profundo dos nossos sentimentos e emoções. Falar de amor de mãe, é falar numa bipolaridade emocional.

É saber o que é amor incondicional, é morrer por amor ao filho, é a bondade, gratidão e felicidade em estado puro, mas também é, o desespero, insegurança, a tristeza, a ansiedade, o estar cansada, esgotada, a depressão.

Ontem fez dois anos a minha Maria Furacão. E bateu no coração a lembrança do dia do parto. Que foi lindo, com pouca dor e rápido. Fui uma abençoada nesse dia, portanto. Mas também, vieram as memórias do que veio a seguir ao parto. Lembro-me de olhar para ela e não sentir paz e tranquilidade, como eu acharia que ia sentir. Senti sim, uma insegurança e um medo abismal. “E agora? O que eu faço com isto nos meus braços?” Lembro-me que nos primeiros meses após o nascimento da Maria, eu chorava muito. Por tudo e por nada.  E eu apesar de saber que esta fase viria e que duraria mais ou menos três semanas (alterações hormonais pós parto que provocam um estado depressivo passageiro), não estava a conseguir gerir o que sentia.

E eu só sentia tristeza. Cansaço. Muito cansaço. E falta de liberdade. As 24 horas do dia eram para a Maria.

Lembro-me de dar por mim a pensar, onde estava a beleza da maternidade que tanto falavam. E eu só perguntava para mim: “Mas é isto que é ser mãe? Não dormir, não conseguir tomar banho, não conseguir fazer absolutamente nada que não estar ali para a minha filha? O que isto tem de bonito e de bom?” E aí, desejei não ter sido mãe. É verdade.

Depois chorava. Chorava, porque nesta altura, já o amor incondicional me tinha batido sem pedir licença e eu amava loucamente aquela bebé que não me dava descanso. E batia o sentimento de culpa, por ter tido tais pensamentos. E pedia desculpa à minha filha por ter pensado tal coisa.

Bipolaridade, no seu estado puro.

Diria que foi este o meu estado nos primeiros meses. Não sei bem quantos.

Sei que, naturalmente, os estados depressivos e ansiogénicos que me assombravam, começaram a dar lugar à tal paz e tranquilidade que eu esperava sentir mal a Maria nascesse. E então dia após dia, a felicidade crescia-me nas veias. E só pensava : “Como é que foi possível eu ter pensado o que pensei nos primeiros tempos? Que parva.”

Hoje, todos os dias são alegria, são risadas, são choros, são paz, são cansaço, são paciência e impaciência, são amor e ansiedade, são paixão e medo.

A bipolaridade, essa continua. Mas de forma mais clara e consciente. E quando as coisas se tornam conscientes e as assumimos, tudo fica mais simples. A maternidade fica mais simples.

Vamos lá assumir que a maternidade não é perfeita. Não é só amor, quando é só amor o que está na base. Em que amamos muita coisa, mas detestamos outras tantas.

Vamos assumir que a maternidade é bipolar. E a coisa simplifica.

 

 

Vera Oliveira

 

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