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Formas de ensinar o alfabeto através do princípio da inclusão – EKUI

Quando trabalhamos com crianças que têm dificuldades no acesso à aprendizagem da leitura, percebemos (e os estudos assim comprovam) que estas crianças têm que ter uma aprendizagem multi sensorial. Isto porque, para ler estão implicadas duas funções cognitivas muito importantes como a descodificação e a compreensão associados a processamentos visuais e auditivos (já para não falar dos aspectos psicomotores). Quando surgem dificuldades específicas de aprendizagem da leitura, digamos que estas crianças apresentam um funcionamento cerebral diferente. Não está lesado, não há défice cognitivo, mas funciona de forma diferente por haver ligeiros défices nas áreas supracitadas que resultam em pequenas disfunções cerebrais.

Como devem calcular, isto tem implicações muito grandes quando a criança inicia o seu processo de aprendizagem da leitura, pois a escrita está directamente ligada e como uma bola de neve, começam a surgir dificuldades específicas nas diferentes disciplinas que a criança começa por ter: o português, a matemática e o estudo do meio.

Mas o início tem de ocorrer. E o que é o início?

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Como motivar a criança que tem dificuldades na leitura

Imaginem este cenário nas vossas vidas de adultos:

Imaginem que têm de ir todos os dias para o vosso trabalho. Imaginem que todos os dias, têm de fazer tarefas que não conseguem executá-las bem. O patrão explicou-vos como executar as tarefas e vocês simplesmente, não conseguem. O patrão repete como se faz e vocês continuam a não fazer bem. Vocês começam a ficar frustrados, aborrecidos. O patrão começa acusar-vos de falta de empenho e dedicação. Começam a ser comparados ao colega que executa na perfeição as tarefas que o patrão mandou fazer. Vocês começam a ficar para além de frustrados, tristes e com sentimentos de inutilidade, com sentimentos de “eu não sou bom, eu não presto”. Começam a duvidar das vossas capacidades, pois os dias, semanas, meses, passam e vocês continuam a não conseguir executar as tarefas como os restantes colegas de trabalho. Mas vocês, não podem mudar de emprego! São obrigados a continuar a trabalhar nessa área. E depois ainda levam para casa as tarefas que não terminaram no trabalho, ou levam para casa tarefas para “treinar” até conseguirem fazer bem. Vocês chegam a casa e a frustração prolonga-se. Começam a ficar irritados com todos lá em casa, começam a ter comportamentos que nunca antes tiveram, simplesmente porque não estão a conseguir lidar com tamanha frustração, stress e ansiedade que o trabalho está a fazer-vos sentir.  Apetece gritar, chorar, dizer que não querem ir para o trabalho, quando acordam de manhã. De repente, começam adoecer, a perder o apetite ou a comer compulsivamente, começam a ter problemas em dormir, começam a ter dúvidas existenciais profundas acerca daquilo que vocês são. Começam a deprimir. Começam a pensar “porque não consigo fazer o raio das tarefas bem?” E há dias que chegam ao trabalho com toda a força do mundo a pensar “hoje vou conseguir” e no fim do dia, o patrão chega ao vosso lado e diz ” ok. mas ainda não está como é suposto”. E vão para a casa com a sensação de vazio, de incompreensão, de dor no coração por saberem que estão a dar o máximo que conseguem, mas ninguém vê. Aí vocês simplesmente desistem. Vão para o trabalho e simplesmente não fazem o que o patrão vos pediu. Não querem. Estão cansados. Respondem torto e chegam a ser mal educados. São castigados. Como castigo, vocês têm de ficar na vossa sala de trabalho, sem puderem ir arejar a cabeça nos intervalos da manhã e da tarde. Nesse dia vão para casa a pensar “Odeio o trabalho, o patrão e os colegas que lá estão. Odeio. Odeio.” Continue reading “Como motivar a criança que tem dificuldades na leitura”

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Sugestões para pais, cujos filhos regressam à escola

A uns dias das aulas começarem, regressa um número de rotinas associadas à escola. E antes que a escola comece, uma das rotinas que acontece é comprar os livros e material escolar. Verificar o que está bom do ano anterior, o que é negociável comprar este ano, o que é necessário comprar, plastificar os livros, identificar tudo com o nome e aguardar pela lista de material escolar que a professora envia, quando as aulas começam.

Fazer estas coisas em conjunto com os filhos é muito bom. Para além de ensiná-los a organizar e a cuidar do seu material, envolve-os neste processo de arranque escolar. Uma das coisas que sempre gostei de fazer era, abrir os livros novos e ver que matérias eu iria aprender. E isso, é uma excelente ideia para vocês fazerem com eles! Estimular a curiosidade do que se avizinha, ver reacções do género “wooow, já viste mãe/pai! Este ano vou aprender isto!!!”, e vocês pais terem reacções do género “ahhhh, olha que giro, este ano, vocês vão aprender este tema x! Eu adorei aprender quando tinha a tua idade!”

Com isto tão simples e natural, estão a ensinar o quão é bom andar na escola, o quão é importante sabermos coisas novas, para podermos falar sobre elas, o quão é bom partilharmos experiências, o quão é bom, colocarmos em prática aquilo que aprendemos. Com isto estão a dar significado ao propósito base do que é “andar” na escola. Que vai muito para lá de tirar boas notas.  Continue reading “Sugestões para pais, cujos filhos regressam à escola”

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#4 Livros que todos os pais devem comprar

Há uns tempos, li na capa de uma revista para pais, o seguinte título “Como acabar com os conflitos”.

Fiquei então a pensar, o quanto deve ser desesperante para os pais, lerem estes títulos e considerarem a hipótese de que é possível viver sem conflito. Simplesmente não é! O conflito não só é necessário, como está intrínseco nos nossos genes, como instinto de sobrevivência e de desenvolvimento pessoal e em grupo.

Então este título que li, poderia intitular-se, por exemplo, desta forma, “Como resolver conflitos”. Mais real. E que vai de encontro às verdadeiras necessidades de cada um de nós. Podemos evitar o conflito (quero crer, que ninguém gosta de conflito, estando no seu perfeito juízo), mas o que nós verdadeiramente gostaríamos, era ter a capacidade para resolver os conflitos que surgem na nossa vida, da melhor forma possível, de forma a que ambas as partes fiquem bem. E isso poderá, de facto, não ser uma tarefa fácil.

Este livro que vos trago hoje, “Pára de chatear a tua irmã e deixa o teu irmão em paz” da autora Magda Gomes Dias, fundadora da Escola de Parentalidade e Educação Positivas ( link directo aqui, caso tenham curiosidade em saber mais sobre o trabalho que ela faz), fala sobre isso. De conflitos. Mas mais do que falar em conflitos dentro duma rede familiar entre pais e filhos e entre irmãos, fala sobre o amor que existe dentro dessa rede e na forma como partilhamos esse amor aos nossos filhos.  Continue reading “#4 Livros que todos os pais devem comprar”

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Aos Pais e Professores de Crianças com Dificuldades de Aprendizagem

Quando iniciei o meu trabalho como psicopedagoga (decorria então o ano de 2005), tinha uma missão dentro de mim: ajudar todas as crianças com dificuldades de aprendizagem que chegassem até mim. Tinha saído da faculdade em 2004 e muito certa que era com e na criança, que toda a minha energia devia ser despendida, até que a mesma melhorasse.

Com a prática, verifiquei o quão sofrida e desamparada era a criança que chegava até mim. Conseguia ler só pelos olhos dos miúdos, a angústia que traziam e a incompreensão de ninguém os entender. Crianças que me chegavam com rótulos de pais e professores de preguiçosos, falta de estudo, falta de regras, incompetentes, desatentos, imaturos, infantis.

E com cada criança, interiorizava que a iria salvar. “Tu vais melhorar, confia em mim”, dizia eu. E batalhava com ela as dificuldades que travava com as letras e os números. E as conquistas iam acontecendo, os avanços iam-se fazendo e a esperança ganhava uma nova forma: “Afinal, eu sou capaz”.

Mas nem todas as crianças tinham o mesmo avanço, nem todas as crianças tinham o mesmo carácter, nem todas as crianças tinham a mesma rede de suporte, nem todas as crianças tinham a mesma motivação. E comecei a perceber, que eu estava demasiado focada na criança.

Estava focada em melhorar a criança. Estava focada no problema neuro biológico. Estava focada nas questões emocionais da criança. E era NA criança que eu me debruçava.

Percebi então, que a criança dependia, para além da minha ajuda, da aceitação. Da aceitação na escola e em casa. Da aceitação da criança que era: uma criança com dificuldades para ler, uma criança sensível ao que lhe diziam, uma criança que queria brincar em vez de fazer os trabalhos de casa, uma criança que não gostava da escola, uma criança que precisava de ser ouvida.

E foi aí que a luz me chegou. Independentemente do apoio psicopedagógico que a criança teria comigo, era crucial trabalhar com os pais e com o professor. Desmistificar, acalmar, dar estratégias e acima de tudo, escutar.

Escutar uns pais cheios de culpas, cheios de medos, cheios de crenças, cheios de expectativas que não correspondiam ao filho que tinham à frente.

Escutar um professor cheio de crenças, cheio de expectativas, cheio de defesas em que tinha dificuldade em apoiar, numa sala cheia de alunos, crianças com dificuldades específicas de aprendizagem.

E então comecei o meu caminho. E o meu caminho com cada criança, passava por amparar, escutar, abraçar, apoiar cada pai e professor de cada criança que eu acompanhava.

Enquanto escrevo isto, apetece-me chorar. Chorar pelo que de bom acontecia aos pais e à criança, quando aceitavam o filho que tinham. Quando desconstruíam mitos e crenças. Quando ajustavam as suas expectativas. Quando se sentiam informados.

A motivação na criança é uma coisa fantástica. Está directamente relacionada com o quanto os educadores à volta dela, acreditam nela. Está directamente relacionada com a aceitação que os adultos à volta dela, fazem. Está directamente relacionada com o vínculo emocional que os adultos à volta dela, estabelecem com ela.

Não é matemática. É amor. A conjugação de todos os factores que levam uma criança a melhorar na escola, é o amor. O amor que cada adulto deposita nela e confia.  E milagres acontecem. Porque fomos nós adultos que mudamos e aceitamos, primeiro.

Eu tinha medo de ser mãe. Não, pelo facto de não ser capaz. Mas por perceber que o peso das crenças e mitos, da falta de informação, perante uma adversidade (num contexto de aprendizagem escolar), me iria dar luta. E tinha medo de falhar, claro!

Mas de onde vinham estes meu medos? De onde vinham estas minhas crenças, inseguranças, do que era suposta ou não, ser enquanto mãe? Complicado, não é? Esta necessidade de provar, que estava enraizado no meu inconsciente. Muito provavelmente por trabalhar na área da psicopedagogia e não poder falhar. Por ter medo de não ser a perfeição. Por ter medo de levar com a dúvida e ambivalência que é a parentalidade.

Que tola.

Ser mãe foi o que de melhor me aconteceu na vida. E sabem porquê? Porque me fez procurar saber o que é isto de educar um filho, fez-me questionar as MINHAS crenças, as MINHAS expectativas. Fez-me questionar que tipo de mãe eu queria ser. E está a ser extraordinário, este processo de desconstrução e reconstrução pessoal.

A parentalidade é dos temas (senão O tema) que mais controversa traz entre as pessoas, porque traz o que temos de mais profundo: as nossas convicções, crenças, tipo de educação que tivemos, provações, medos, expectativas, mas acima de tudo, porque é pelos pais que somos, que ajudamos a construir o futuro de amanhã.

Sejam bons convosco. Baixem as armas. Respirem. Informem-se. Aceitem. E sigam o vosso caminho de forma informada e consciente.

 

Vera Oliveira

 

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#3 Livros que todos os pais devem comprar

E cá estamos nós para falar de mais um livro que todos os pais devem ler.

Bem, se estão interessados em conhecer como o cérebro do vosso filho funciona em função das etapas de desenvolvimento em que se encontra, então vão já correr e comprar este livro.

Birras que não conseguem controlar, acessos de raiva inexplicáveis, comportamentos que não entendem o porquê,… Neste livro tudo é falado com base na neurociência e na prática da parentalidade consciente. Continue reading “#3 Livros que todos os pais devem comprar”

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#2 Livros que todos os Pais devem comprar

Sofie Münster, autora deste livro que vos trago hoje, é diretora da maior revista digital sobre parentalidade na Dinamarca – a NOPA – Nordic Parenting. Pena, não perceber uma única palavra. Mas com tradução, deu para perceber os temas interessantes que por lá se escrevem na página do facebook.

Penso que o sub título deste livro “o método dinamarquês para educar crianças felizes e bem sucedidas”, apenas é para alimentar a moda que anda por aí sobre todo um estilo de vida nórdico (que eu tanto aprecio, por acaso). Para quem anda nesta mudança de paradigma da educação e parentalidade positivas, conhecerá os termos que aqui a autora fala sobre como educar as crianças hoje em dia.

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Qual a Idade Ideal para Entrar no 1º ciclo?

Será que o meu filho está preparado para entrar no 1º ciclo?

Esta é uma pergunta que muitos pais se colocam e, para a qual, existem uma série de condicionalismos que importa ter em atenção. Principalmente, para aqueles em que os filhos fazem os seis anos depois do 15 de Setembro.

Não é fácil encontrar uma resposta universal, que se adapte à totalidade das crianças, mas o que os estudos demonstram é que o ideal é que entrem com 6 anos já feitos e esse deve ser o princípio a seguir na maioria das situações. Aliás, nos países nórdicos, a entrada no 1º ciclo acontece só aos sete anos.

Mas vamos começar pelo que diz a Legislação Portuguesa:

A matrícula no 1.º ano do 1.º ciclo do ensino básico é obrigatória para as crianças que completem 6 anos de idade até 15 de setembro.

As crianças que completem os 6 anos de idade entre 16 de setembro e 31 de dezembro podem ingressar no 1.º ciclo do ensino básico se tal for requerido pelo encarregado de educação, dependendo a sua aceitação definitiva da existência de vaga nas turmas já constituídas (..)” [Despacho n.º 5048-B/2013].

Teoricamente, o que isto significa é que todos os alunos que façam anos depois de 15 de Setembro são os chamados “condicionais”. Só entram para o 1º ciclo em situações de excepção. (Se houver vaga, por exemplo)

No entanto, na prática, o que acontece na realidade, é que todos os alunos que fazem anos até 31 de Dezembro entram, salvo algumas excepções. Isto acaba por criar pressões nos pais e vai contra o que os estudos científicos demonstram, que é importante que as crianças não queimem etapas e que só avancem quando se encontram efectivamente preparadas para tal.

Nos anos 80, Steve Biddulph, desenvolve uma teoria em que defende que atrasar as crianças um ano para que iniciem a sua vida de estudante apenas após os 6 anos concluídos, será a opção mais benéfica para o aluno. Sugere que as crianças mais novas se sentem inseguras, ansiosas e inadaptadas e que retê-las por um ano, proporcionando-lhes mais um ano de brincadeira, é uma boa forma de lhes dar uma vantagem em relação aos mais velhos.

Os pais, ficam menos tensos em relação a resultados, pois estão a apostar numa criança mais confiante mais autónoma e mais madura.

Um estudo publicado pelos investigadores Thomas S. Dee e Hans Henrik Sievertsen, da Universidade de Stanford,  (2015) chegou à conclusão que as crianças dinamarquesas que entram um ano mais tarde para o primeiro ciclo revelam menores índices de desconcentração e hiperactividade e, consequentemente, denunciam um maior auto-controlo.

Sabe-se, através de vários estudos, que níveis mais elevados de autocontrolo na infância são preditores de maior sucesso nas várias estratégias de  resolução de problemas na idade adulta.

É importante então, desmistificar esta coisa da criança “atrasar” um ano a sua entrada no 1º ciclo.

Os alunos condicionados atrasam ou ganham?

Nunca atrasam! Só ganham! Não há pressas, neste processo de crescer. Até porque, não atrasam, não ficam retidas, não chumbam! Será uma decisão dos pais junto da educadora de infância, da criança ficar mais um ano no pré-escolar.

O que é que os Pais e Educadores de Infância devem avaliar na criança, para perceberem se a mesma está de facto preparada para essa entrada?

  1. Maturidade Cognitiva/Social/Emocional

Para mim, a mais importante competência a avaliar, compreendendo que, à partida, existe uma idade ótima para as aprendizagens escolares, em termos de neurodesenvolvimento: os 7 anos.

É importante observar a capacidade da criança em aspetos tão comuns como o adiar de uma recompensa (gestão do auto controlo); o conseguir esperar pela sua vez; o seguir as regras de convivência; o tolerar a frustração; e ainda a curiosidade/interesse em apreender e perceber que já não é só para brincar.

A criança ter a capacidade de aguardar, de se integrar e trabalhar e brincar em grupo, tudo isto são aspectos de maturação social e emocional muito importantes.

Aqui estão englobadas também, o raciocínio, competências sociais e auto-regulação.

2. Concentração

Umas das coisas importantes a ter em conta é a capacidade da criança em direcionar a sua atenção e manter-se focada na tarefa.

Para além disso, o estar sentada a executar uma determinada tarefa, é um pressuposto importante a considerar quando se entra no 1º ciclo.

3. Consciência Fonológica (Linguagem)

Ou seja, pensar e perceber os sons das palavras. É o que antecede a aprendizagem da leitura!

Como podemos ajudar? Soluçar uma palavra para a criança adivinhar o que estamos a pensar, dividir as palavras em sílabas com batimentos rítmicos (palmas), perceber se as palavras rimam, dizer a primeira sílaba da palavra, encontrar palavras que começam pela mesma sílaba ou o mesmo fonema, evocar palavras com uma sílaba ou um fonema… Tudo isto são exercícios que podem ser feitos em casa e na escola, de forma divertida!

4. Linguagem

A linguagem está entre os preditores mais referidos na literatura sobre dificuldades de aprendizagem. Os obstáculos na articulação, a dificuldade em discriminar sons, na nomeação e na consciência fonológica (noção dos sons da língua, sensibilidade a rimas, cantilenas etc.) resultam muitas vezes em dificuldades na aprendizagem da leitura e da escrita.

Ainda assim, algumas situações relatadas como “troca letras a falar” ou “é muito trapalhão quando fala” podem ser transitórias e ultrapassadas quando encaminhadas para o acompanhamento de um profissional especializado.

5. Interpretação de Textos

As histórias são um importante aliado no desenvolvimento de algumas competências na criança. Desde logo a capacidade da criança desenvolver a imaginação, a compreensão do mundo e a criatividade. Mas para isso a criança terá que os interpretar, terá que perceber um texto, perceber do que fala a história, quais as personagens ou onde se localiza a acção.  E não é difícil de trabalhar esta competência, se a cada história que contamos colocarmos algumas questões. Para além disso estamos a trabalhar a concentração!

6. Psicomotricidade

A motricidade fina, a par com a orientação espacial e percepção visual, são outras competências pré-académicas significativas no sucesso escolar. A noção temporal, a par com a destreza manual e noção do todo do seu corpo, são essenciais estarem adquiridos!

Quanto à matemática, é importante que a criança conte pelo menos dez objectos e que domine o raciocínio necessário para resolver problemas simples, de cabeça, como “O João tinha três berlindes. A mãe deu-lhe mais dois. Com quantos ficou?”.

 

As vantagens e desvantagens, de uma entrada antecipada no primeiro ciclo, associam-se directamente com o nível de desenvolvimento global da criança, com a sua maturidade global, e não especificamente com a sua idade cronológica.

Ainda assim, e para idades no limite face ao previsto na lei, e assumindo um desenvolvimento global dentro, ou acima do esperado para a idade, com aquisições diversificadas em termos de autonomia, linguagem, raciocínio, competências sociais, auto-regulação, entre outras, a possibilidade da criança poder manter o seu grupo de pares de referência, facilitando a adaptação social, é conceptualizada como uma vantagem dessa entrada antecipada.

E, para o sucesso académico, ao contrário da importância que por vezes se dá, a dimensão cognitiva / inteligência não é factor único.

Ou seja, podemos estar perante uma criança que cognitivamente se encontra ao nível dos seus amiguinhos um pouco mais velho, mas que em termos emocionais e sociais poderá não estar preparada – porque não possui estratégias de regulação comportamental, porque não possui um conjunto competências sociais desenvolvidas, porque manifesta ainda uma preferência pelo trabalho lúdico em detrimento da aprendizagem mais formal, porque é ainda muito dependente do adulto.

Devemos retirar a carga negativa à expressão normalmente utilizada de “atrasar” a entrada no 1º ciclo como se os colegas com admissão não condicional avançassem e as crianças com entrada condicional ficassem para trás. Não é verdade! Aqui não há retenções!

Trata-se, fundamentalmente, de evitar que crianças de cinco anos sejam obrigadas a crescer e a acompanhar crianças de quase sete, nos mesmos desafios de escolarização. Trata-se de respeitar o ritmo e as necessidades de faixa etária e de lhes responder de forma adequada a essas necessidades. A criança que fica mais um ano na pré-escola não fica desfavorecida em termos de competição com os colegas que não fizeram esse caminho. Na verdade, interessa é que a criança compita consigo própria, que se supere, que se torne melhor que no dia anterior e que tenha como referencial de sucesso o seu desenvolvimento pessoal e não a competição com os pares.

Os pais devem decidir sem culpas nem tendo em conta pressões sociais. Se decidir que é melhor que o seu filho fique mais um ano na pré-escola pense nos pontos positivos: as crianças têm apenas 5/6 anos para poderem exclusivamente brincar e todo o resto da vida para serem alfabetizados, escolarizados e letrados.

A educação não formal (brincar) é tão importante para o desenvolvimento emocional e cognitivo como a educação formal e absolutamente fulcral nos primeiros anos de vida.

O mais importante é respeitar não o tempo do calendário lectivo mas sim o tempo da criança.

 

Vera Oliveira

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#1 Livros que todos os Pais devem comprar

Hoje começa uma nova sequela de post’s que irei escrever por aqui – Livros que todos os pais deveriam comprar.

Os dois livros que hoje sugiro são para ser saboreados, folheados de forma aleatória, sem ter que serem lidos do princípio ao fim. São para ser entendidos como fonte de brincadeiras, como fonte de inspiração para brincar com os filhos e saberem o que estão a estimular com “a” brincadeira. São para ser encarados como estimulantes da dinâmica familiar e do apego, do despertar das várias inteligências que as crianças têm e acima de tudo do BRINCAR.  Continue reading “#1 Livros que todos os Pais devem comprar”

Maternidade, psicopedagogia

DIY – Jogos caseiros para estimular o seu filho.

Desde que sou mãe, que me preocupo em procurar boa informação sobre as diferentes fases de desenvolvimento da criança. Enquanto profissional, o meu âmbito de trabalho foi sempre crianças a partir dos seis anos, o que quando me vi com um bebé no colo, fiquei bastante assustada por não saber o que era suposto acontecer naquela fase.

Conhecendo bem a fase de desenvolvimento em que uma criança se encontra, consegue-se perceber mais de metade dos dilemas que acontecem, conseguindo responder de forma mais eficaz, mas acima de tudo, de forma mais segura e tranquila.

Para além de ser importante conhecermos as fases de desenvolvimento é, igualmente importante (mais aliás), desenvolvermos uma relação de verdadeira presença enquanto pais. Estarmos e sermos presentes.

Uma forma natural de fortalecermos esse vínculo é brincando com eles. A nossa presença é o elemento essencial para eles nesse mundo da brincadeira e da partilha. Continue reading “DIY – Jogos caseiros para estimular o seu filho.”