psicopedagogia

Formas de ensinar o alfabeto através do princípio da inclusão – EKUI

Quando trabalhamos com crianças que têm dificuldades no acesso à aprendizagem da leitura, percebemos (e os estudos assim comprovam) que estas crianças têm que ter uma aprendizagem multi sensorial. Isto porque, para ler estão implicadas duas funções cognitivas muito importantes como a descodificação e a compreensão associados a processamentos visuais e auditivos (já para não falar dos aspectos psicomotores). Quando surgem dificuldades específicas de aprendizagem da leitura, digamos que estas crianças apresentam um funcionamento cerebral diferente. Não está lesado, não há défice cognitivo, mas funciona de forma diferente por haver ligeiros défices nas áreas supracitadas que resultam em pequenas disfunções cerebrais.

Como devem calcular, isto tem implicações muito grandes quando a criança inicia o seu processo de aprendizagem da leitura, pois a escrita está directamente ligada e como uma bola de neve, começam a surgir dificuldades específicas nas diferentes disciplinas que a criança começa por ter: o português, a matemática e o estudo do meio.

Mas o início tem de ocorrer. E o que é o início?

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Recomeços Escolares – Setembro… Um mês para amar ou odiar?

Quando as aulas terminaram em Junho, muitas crianças e pais descansaram tendo ficado satisfeitos com os resultados escolares finais. Em Setembro, irá surgir a alegria de voltar novamente à escola para rever os amigos e aprender mais coisas boas (para as crianças) e, para os pais irão surgir as preocupações normais: comprar material escolar, eventualmente acontecer uma mudança de escola com a mudança de ciclo e voltar à rotina de sempre.

Porém, existe uma fasquia considerável de crianças e pais que vivem dilemas acrescidos. No final de ano que passou, alguém ficou retido, alguém passou mas com dificuldades na leitura ou escrita ou aritmética, alguém passou com uma ou outra negativa que persiste.

No ano lectivo que passou, alguém teve muita dificuldade para aprender, pouca motivação para estudar e muita frustração por não conseguir alcançar o pretendido. Muita dificuldade para estar atento, para fazer os trabalhos de casa, muito choro para não ir à escola. Muitas chamadas de atenção do professor, algumas reuniões a alertar para as dificuldades que se manifestavam no aluno.

O mês de Setembro, não trará grandes alegrias para esta criança que volta à escola, nem para os pais angustiados que consideram que o seu filho não gosta de estudar e nada conseguem fazer para o mudar.

“É preguiçoso”, “Não gosta de estudar”, “Porta-se mal na sala de aula”, “Perturba a dinâmica da sala de aula”, “Tem que estudar mais”, “Não tem métodos de estudo”, “quando quer até lê bem”, “Quando está atento, consegue fazer bem à primeira”, “Já o coloquei em explicações, mas nem assim”,… Poderia continuar num sem fim de frases que pais e crianças ouvem, que têm dificuldades de aprendizagem.

Para os pais que se identificam com estes discursos e que vivem momentos de angústia, por não saber o que fazer pelo seu filho que tem dificuldades em aprender, tenho algumas coisas a dizer-vos:

  • O vosso filho, muito provavelmente, terá alguma dificuldade de aprendizagem específica. O “síndrome da preguiça” como costume chamar é apenas um sintoma dessa dificuldade;
  • O vosso filho está em sofrimento e precisa de ajuda especializada. Uma criança com um desenvolvimento cognitivo e emocional normal, que quer aprender mas não consegue e não percebe o porquê, vai ficar revoltado, vai frustrar, vai desmotivar, vai desinteressar-se, vai desinvestir;
  • O vosso filho vai estar mais desatento, vai estar com um comportamento alterado, pois não consegue sentir prazer nas tarefas escolares, nem tirar significado do que faz e como o seu cérebro ainda está a desenvolver-se, a capacidade para saber lidar com a frustração ainda é baixa;
  • O vosso filho precisa que alguém se sente com ele e lhe explique o que se passa dentro da sua cabecinha, o que acontece no seu cérebro quando quer juntar as letras e não consegue ler. Precisa de entender para compreender e acalmar a sua frustração;
  • O vosso filho precisa de estratégias, formas e métodos diferentes de aprendizagem, que farão mais sentido ao seu cérebro;
  • O vosso filho precisa de professores e pais informados para se sentir compreendido;
  • Vocês pais precisam de alguém que vos explique o que é isto das Dificuldades de Aprendizagem;
  • Vocês pais precisam de tirar a culpa de cima de vocês.
  • Vocês pais precisam de alguém que vos oriente.

As Dificuldades de Aprendizagem na leitura (Dislexia), na escrita (Disortografia) ou no Cálculo (Discalculia), existem, são reais. E as crianças que apresentem estas dificuldades, precisam de ser avaliadas para serem, em primeiro lugar, compreendidas e de seguida, orientadas, ajudadas. A frustração e desmotivação só irão aumentar, à medida que os anos lectivos avançam.

Quantos de vocês pais, quando tiveram a idade dos vossos filhos, não tiveram colegas de escola que simplesmente não aprendiam e desistiam da escola por “serem burros”, “a escola não ser para eles”? Se calhar, vocês próprios tiveram dificuldades de aprendizagem e seguiram os estudos com muita dificuldade, sempre detestando a escola.

Não deixem que mais um ano lectivo passe. É possível reatar o gosto pela escola, pela aprendizagem, com as orientações certas!

Para avaliação psicopedagógica, visite o meu site http://www.veraoliveira.com.pt

 

 

Vera Oliveira