Lifestyle

Meu querido 2017, obrigada.

Sempre que tenho possibilidade, gosto de “desligar” nas semanas do Natal e Passagem de Ano. Gosto de por de lado o trabalho e viver mais para a casa, para a família e para os amigos que gosto de receber. E em 2017 pude fazer isso.

O mês de dezembro sempre me deixou melancólica, apesar de amar o mês do Natal! Mais sensível a tudo e a todos. Agora que sou mãe, mais ainda. É uma época que me apetece muito estar mais ligada aos meus e abrandar um pouco. Digamos que eu tenho dois inícios de ano: o setembro, que é o início da escola, o retomar o trabalho e planificar como será o meu ano de trabalho e o fim do ano civil, em que é mais pessoal, em que debruço mais sobre mim, as oportunidades que tive, se cumpri aquilo a que me propus, o que falhou, o que tenho de manter, o que tenho de mudar e o que se perspectiva para o próximo ano.

2017 foi um ano muito simpático e bom para mim. Foi o ano em que me encontrei como mãe e como profissional.

Desde 2015 que me sentia muito perdida. O nascimento da minha filha pressupôs, muitas mudanças drásticas na minha vida pessoal e profissional. Desde ter de deixar um trabalho que construí de raiz, a mudar de local de residência, foi meio caminho andado para entrar em depressão e não aceitar de bom grado a maternidade, como se fosse ela a fonte de todo o meu mau estar.

2017 foi o ano em que finalmente aceitei a maternidade. Em que comecei a ser boa para mim mesma e a cuidar emocionalmente das minhas feridas. Foi o ano em que aceitei a minha filha como ela é: um furacão cheio de amor. Aceitei ser amada por ela, o seu primeiro grande amor: a mãe (os pais). E eu, aceitei ser a mãe que lhe dará o colo, a protecção, o vínculo afectivo, o amor e a vida; que lhe ensinará a regra e a excepção; que lhe passará os valores em que acredito; que a vai deixar ser.

2017 foi o ano que percebi por onde devia recomeçar o trabalho. Despedir-me e começar a trabalhar por conta própria, foi meio caminho andado, para perceber que a felicidade está no equilíbrio entre o que sentes e o que fazes. Percebi que quero ter mais tempo para mim e para a família, trabalhando com gosto. E consegui isso. Vivo com menos dinheiro? Vivo. Mas, sou mais feliz e completa? Sou. Grata então.

Demorei dois anos a encontrar-me. Foi difícil. Muito mesmo. Coloquei em causa muita coisa, lidei com os meus monstros internos, desenvolvi ódios só por que sim. Foi mau e triste, acima de tudo.

Como alguém dizia, ser-se bom é um acto de coragem. É ter um misto de humildade, de bondade, de gratidão, de vida resolvida que eu não estava a encontrar em mim. E andei perdida numa luta em encontrar a culpa. Mas essa culpa não existia. Simplesmente não existia. Faltava a minha aceitação e gratidão do que tinha acontecido em 2015. E 2017 foi o ano.

Nunca fui pessoa de fazer listas de pedidos e desejos para o ano que se avizinha. Mas este ano, em 2018, não peço. Liberto-me. Libertar o que há de bom em mim, fazer o bem a mim e aos outros, aceitar e agradecer. Foram muitos anos sem agradecer e sem me libertar.

Bom ano de 2018!

 

Vera Oliveira

 

 

 

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