psicopedagogia

Os tablets, a televisão e as crianças. O que diz a ciência?

Mal os filhos nascem, é a televisão que muda eternamente para o baby TV e Panda, são as musiquinhas e jogos interativos no tablet, para por um lado, termos tempo para tratar de nós enquanto ficam colados ao ecrã, ou porque é mais fácil entreter o bebé que chora ou a criança irrequieta, ou por outro, porque achamos que é estimulação boa que estamos a dar aos nossos filhos.

Ora bem, vamos então falar um pouco sobre o que a ciência diz. Isto porque, nesta área o que vejo, é pouco bom senso. Televisão demasiado tempo ligada (mesmo que seja “só” a fazer barulho de fundo) e demasiado tempo de tablet à frente de uma criança.

Eu sei… é mais fácil termos uma criança entretida com o tablet nas refeições, enquanto estamos a conversar com alguém ou enquanto estamos a falar ao telemóvel, por exemplo. “É só por um bocadinho! Não faz mal a ninguém!” pensamos nós. Eles ficam calmos e serenos (achamos nós) e nós satisfeitos por toda a calma e tranquilidade que estes aparelhos passam para as nossas crianças. O perfeito babysitter. Mas se formos juntar todos esses “bocadinhos” ao longo do dia, ficarão assustados com o número total de horas que vai dar no final.

Comecemos pela televisão. Em 1999, a Academia de Pediatria Americana (APA), anunciava uma notícia que deixou toda a gente assustada: Não à televisão antes dos dois anos.  O tempo de ecrã parece ter efeitos diferentes em diferentes idades e, nos primeiros meses de vida, os riscos são particularmente elevados. Pelos vistos, a ciência vem dizer que, quando as crianças muito pequenas vêem demasiada televisão, isso poderá ter impacto na própria estrutura do seu cérebro. Mais, alguns estudos vêm dizer que existe uma perturbadora correlação entre a quantidade de televisão que, crianças até três anos, viam e os problemas posteriores em serem capazes de prestar atenção.

Sobre os jogos/programas de computador para estimular, o intelecto, a atenção, memória, a perceção visual, é muito simples: está comprovado que não têm nenhum efeito positivo no desenvolvimento cerebral do bebé/criança.

Aliás, existem muitos estudos, que indicam que as crianças que convivem habitualmente com ecrãs de telemóveis, tablets ou computadores são mais irritáveis e têm pior atenção, memória e concentração do que aquelas que não usam.

A criança que cai nas emocionantes redes dos tablets e dos videojogos pode perder todo o interesse por outras coisas, como conversar com os pais, brincar com bonecos, andar de bicicleta, já para não falar do facto de prestar atenção à professora ou de fazer os trabalhos de casa. Estas crianças podem parecer pouco atentas e serem diagnosticadas com perturbação de défice de atenção, quando na verdade estão pouco ou nada motivadas.

Os vídeos de estimulação da linguagem, por exemplo, não trazem enriquecimento nenhum para o bebé. Umas das descobertas importantes que a ciência fez, foi comprovar que os bebés apenas aprendiam através da exposição ao vivo de sons e não através da exposição a um vídeo com os mesmos sons.

Mas agora não vou puder, nunca mais ligar a televisão, ou fazer um jogo interativo com o meu filho?

Claro que pode! Em primeiro lugar, fazer um jogo “com” o meu filho faz a diferença. Estar com a minha filha a fazer um jogo interativo no tablet por dez minutos, traz imensas vantagens: estou ligada a ela, a criar vínculo e a estimular a linguagem, por exemplo, enquanto converso com ela sobre o que está acontecer no jogo. É diferente de deixar o ecrã simplesmente ali para ela durante um “bocadinho”.

Com a televisão acontece o mesmo. Vermos as duas um pouco de televisão (programas adequados à idade), não faz mal nenhum: vou falando o que vejo, acarinho-a, vamos nomeando as duas o que vemos e naturalmente, quando acho que é tempo suficiente, digo “vamos brincar, agora?”.

Pais… o bom senso é para ser usado… verdadeiramente!! Dá trabalho educar? claro que dá! Para criar vínculo afetivo com os filhos, uma relação com qualidade, brinque e dê do seu tempo. Eles podem ficar contentes sempre que lhe dá o telemóvel para a mão, mas por que não conversar, brincar, ou simplesmente deixá-lo estar no seu canto com os seus brinquedos preferidos. O gosto (doentio) pelo telemóvel, tablet ou televisão, somos nós, pais, que o desenvolvemos neles.

Verdadeiro bom senso, é o que deve ter.

 

 

Vera Oliveira

 

2 opiniões sobre “Os tablets, a televisão e as crianças. O que diz a ciência?”

  1. Concordo em absoluto com o que está escrito! Sim, educar dá trabalho, exige disponibilidade, carece de tempo e dedicação! Acha que uma criança é mais inteligente por aos 18 meses saber manipular um tablet!? Maior inteligência digital!? Certamente…..vejamos se aos 5 anos sabe apertar os atacadores, jogar à macaca, ou saltar à corda!!! Não sou fundamentalista….já os meus pais me diziam….nem 8, nem 80!

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    1. Boa noite e obrigada pelo seu comentário.
      De facto, não podemos privar as crianças da tecnologia. Ela é importante e necessária. No entanto, o grande problema está em pô-la à disposição cedo demais. Isso sim, não traz benefícios nenhuns para o desenvolvimento cognitivo e emocional de uma criança.

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