psicopedagogia

Como Motivar para o Estudo?

Agora que as aulas estão a começar há que pensar e planear o que é que vão mudar na vossa forma de educar para o estudo. Pais e professores. O que é que correu mal, no ano lectivo passado? Porque é que no momento de estudar, acontecia sempre discussão, gritos e castigos? A moeda final, acabou por ser a lei das ameaças, das promessas “se estudares, dou-te algo” ou “se tirares boa nota dou-te algo” e o “tem de ser ponto”.

Este ano será diferente. Vamos lá então reflectir na forma como vemos o processo educativo.

A maioria dos alunos não gosta do trabalho escolar. De terem que estudar para os testes, de fazerem os trabalhos de casa. Os próprios pais, no tempo deles, também não achavam grande piada. Mas agora que são adultos e trabalham, passam a mensagem aos filhos que, estudar, serve acima de tudo para lhes dar “um canudo”, “um bom trabalho”, “um futuro seguro”. Andam então os miúdos, durante o ano lectivo, numa luta asfixiante sem prazer e significado a estudar para tirarem boas notas. E quando chegam ao fim e até as tirem, sentem o alívio, mas não existe grande felicidade. Porque não se viveu a aprendizagem.  O aluno não foi ensinado a saborear a aprendizagem para atingir determinada meta (ter boas notas, por exemplo).

Os filhos aprendem com os seus pais que as notas e as recompensas são a medida do sucesso, que a sua responsabilidade é produzir certificados de habilitações notáveis em vez de apreciarem a aprendizagem pela aprendizagem.Os educadores (pais e professores) que se preocupam em ajudar as crianças a terem vidas felizes devem, em primeiro lugar, acreditar eles próprios que a felicidade é a moeda final. É o que importa nesta vida.

Na escola, as crianças deveriam ser encorajadas a percorrer os caminhos que lhes dão prazer e significado. Se um aluno quer ser psicólogo, electricista ou esteticista e pensou maduramente sobre os prós e contras de uma carreira dessa natureza, então pais e professores deveriam encorajá-lo, mesmo que pudesse ganhar mais dinheiro como analista financeiro.

Ao darem ênfase aos êxitos (notas finais) em detrimento do cultivo de um amor pela aprendizagem, escolas e pais reforçam a mentalidade da competição desenfreada e asfixiam o desenvolvimento emocional das crianças.

Em Portugal, o sistema de ensino está marcadamente virado para a competição desenfreada. É um país sem alunos motivados, com imensa carga horária e excesso de actividades extra curriculares. O resultado está à vista: cada vez mais, aparecem casos de crianças e adolescentes com depressão. Não é por acaso.

Em vez de ajudarem os filhos e alunos a encontrar metas e actividades significativas e estimulantes, em vez de os ajudarem a sentir a alegria de aprender, muitos educadores estão mais preocupados que os alunos tenham bons resultados.

Nem os pais nem as escolas são muito eficazes a ensinar os jovens a descobrirem prazer nas coisas certas. Fazem com que as tarefas sérias sejam monótonas e difíceis  e as tarefas frívolas, excitantes e fáceis. Não conseguem ensinar o quão excitante podem ser as Ciências ou a Matemática e a aventura que pode ser a História!

Vou-vos deixar com um exercício prático para fazerem durante uma semana. Vejam e até escrevam as diferenças que notaram:

Durante uma semana, tentem acompanhar a matéria que o vosso filho está a aprender e tentem junto dele, pesquisar para lá do que está no livro. Vão à internet e procurem um tema específico que o livro falou lá pelo meio (vão descobrir e achar muito curioso a vida do escritor ou matemático que inventou certa fórmula!). Tentem procurar e ver um filme que fale sobre o tema que estão a dar (por exemplo a História). Envolvam-se mais nos trabalhos de casa. Quando estiverem a corrigir os trabalhos de casa, fiquem admirados com o que ele escreveu/aprendeu, peçam para vos contar como aprendeu e do que gosta e o que sente acerca daquele tema.

Segundo aspecto: as crianças já passam muito tempo na escola, não os encham de actividades extra curriculares. É importante ter tempo para não fazer nada. Para brincar ou simplesmente estar. Promovam a curiosidade, menos jogos on-line, menos jogos de computador. Promovam a leitura, a pesquisa, a descoberta. E se eles se aborrecerem? Deixe-os ficar aborrecidos! Irão aprender com o tempo a arranjar estratégias para lidar com o aborrecimento. Os pais não os podem nem devem salvá-los de tudo!

As crianças são extremamente sensíveis e interiorizam as crenças dos seus educadores. Que o amor pela aprendizagem seja cheia de prazer e significado.

Bom ano lectivo!

 

 

Vera Oliveira

 

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