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E tu, em que acreditas?

Trinte e oito anos de vida, treze de experiência profissional e dois anos de maternidade, levam-me a gostar de pensar na vida que vejo à minha volta.

Acredito que há energias boas e energias más. Somos energia. Acredito que o que eu faço e sou para os demais, influencia a sua forma de estar e ser para comigo. O mesmo acontece ao contrário. Acredito que não somos perfeição, mas que a procuramos incessantemente e nos culpabilizamos lá no fundo do nosso íntimo.

Acredito que as crianças merecem e devem ser felizes. Acredito que a escola em Portugal (de uma forma geral) não funciona adequadamente, como está no papel. É burocracia a mais, interesse a menos. São pais que querem que os seus filhos sejam felizes e são escolas que exigem muito.

Acredito nas crianças que têm dificuldades em aprender, mas não acredito que tenham que ter um rótulo. Acredito numa avaliação psicopedagógica qualitativa da criança do seu desenvolvimento global, mas a escola só acredita na quantificação dessa avaliação. E como quantificamos o coração daquela criança? Como se quantifica uns pais? Como se quantifica a falta de pedagogia nas escolas? Como quantificar a criança com problemas de comportamento, sem perceber a sua dinâmica familiar, social e emocional?

Será que deve ser tudo quantificável na escola, para que aquela criança seja entendida e apoiada?

Acredito que há pessoas bondosas, de coração cheio de amor, mas também acredito que há pessoas com coração cheio de raiva e ódio. Acredito nos pais que se empenham por trabalhar o vínculo com os seus filhos e em serem perfeitos na sua imperfeição, mas também acredito nos pais que considerem que esse vínculo apareça do nada e se considerem perfeitos.

Acredito que todos os dias são uma caminhada, são experiências e lições de vida. E acredito que só estarei, nesta vida com este corpo, uma vez. Acredito que temos o poder para melhorar todos os dias e que um passado não nos define. Acredito que somos seres individuais, mas com forte influência social. E acredito que estamos consumidos em agradar aos outros em prol de agradar a nós mesmos. E isso pesa.

Pesa na pessoa que tem de mostrar uma imagem de perfeição, por falta de segurança e autoconfiança. Pesa na pessoa com falta de amor próprio e que não segue a sua vida, acreditando nos seus ideais. Pesa para um pai que acha que mimo a mais existe e estraga. Pesa igualmente para um pai que acha que o seu filho não poderá ouvir um não.

Pesa na criança que todos os dias vai para escola e que está um dia inteiro a lhe ser exigido estar sentada, concentrada, focada. Pesa na criança que todos os dias chega a casa depois de um dia de “trabalho” e tem de continuar a “trabalhar”. Acredito que hoje, as crianças, crescem à pressa, sem tempo. Acredito que hoje, a maioria das crianças não seja feliz.  Acredito que tudo isto terá um preço alto a pagar. Mas também acredito que há finais felizes, para muitas crianças deste mundo.

Acredito no reflexo. No poder da influência. E de como pode ser destruidora. Mas também acredito no poder do reflexo, da influência no sentido positivo.

Acredito que há professores cansados, desajustados, sem grande formação psicopedagógica, mas também acredito que há professores que marcam pela influência positiva que têm nas crianças e na força das palavras que transmitem às mesmas. Acredito que há professores que nos marcam para sempre no nosso coração e que nos motivam a perseguir os nossos sonhos. Acredito nos professores frustrados consigo mesmo e que castram os sonhos e motivação de um aluno.

Não acredito no sistema educativo que temos. Não há uma única virgula que me faça acreditar que o nosso sistema de educação funcione, atendendo ao desenvolvimento social, emocional e familiar do aluno. Acredito que andamos a falhar redondamente no que se tenta implementar de bom nas escolas. Acredito que não há a consistência e persistência necessárias para que as mudanças boas acontecem, verdadeiramente.

Acredito em colegas de trabalho que nos inspiram a ser melhores profissionais, que colaboram como equipa multidisciplinar, que tanto se apregoa. Acredito, também, em profissionais da área que não se sentem bem em ter parceiros por perto, em que se sentem ameaçados e que só eles é que sabem e detêm o poder argumentativo à flor da pele.

Acredito que o amor cura (quase) tudo. Que não desilude, porque não cria expectativas. Que abraça tudo e todos, porque é um sentimento grande e bom, em que tudo tem direito a entrar e sair quando querem e como querem.

Acredito em dias que começam bem e acabam mal e em dias que começam mal e acabam bem. Mas também acredito em dias que começam bem e acabam bem, porque assim o decidimos. Somos nós que escolhemos, que temos o poder para escolher como queremos acabar os nossos dias.

Acredito num amor maior. Acredito em mim. E confio. Segue e deixa fluir.

 

 

Vera Oliveira

Psicopedagoga

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