psicopedagogia

Formas de ensinar o alfabeto através do princípio da inclusão – EKUI

Quando trabalhamos com crianças que têm dificuldades no acesso à aprendizagem da leitura, percebemos (e os estudos assim comprovam) que estas crianças têm que ter uma aprendizagem multi sensorial. Isto porque, para ler estão implicadas duas funções cognitivas muito importantes como a descodificação e a compreensão associados a processamentos visuais e auditivos (já para não falar dos aspectos psicomotores). Quando surgem dificuldades específicas de aprendizagem da leitura, digamos que estas crianças apresentam um funcionamento cerebral diferente. Não está lesado, não há défice cognitivo, mas funciona de forma diferente por haver ligeiros défices nas áreas supracitadas que resultam em pequenas disfunções cerebrais.

Como devem calcular, isto tem implicações muito grandes quando a criança inicia o seu processo de aprendizagem da leitura, pois a escrita está directamente ligada e como uma bola de neve, começam a surgir dificuldades específicas nas diferentes disciplinas que a criança começa por ter: o português, a matemática e o estudo do meio.

Mas o início tem de ocorrer. E o que é o início?

O início é  identificarem as letras do alfabeto, para poderem formar sílabas, palavras, frases e darem asas à sua imaginação. Essas letras estão associadas a um som (fonema) e a uma grafia (grafema). Ou seja, estão associadas a dois processos: o visual e o auditivo. Processamentos esses, que nas crianças com dificuldades de aprendizagem da leitura estão afectados.

O EKUI  é um projecto português que tem por base uma missão muito bonita: promover uma metodologia de ensino do alfabeto, baseado numa dinâmica de aprendizagem multi sensorial, inclusiva, associado a um modelo de negócio social.

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Este alfabeto associa quatro formas de comunicação ( para além da convencional que é associar a letra à sua forma escrita): a grafia, o gesto, o som e ainda o braille. E atenção, pois este projecto vai mais além, pois é universal! O gesto está associado à língua gestual e o som está associado à linguagem fonética. Ou seja, a criança que tem dificuldade em aprender a letra /a/ só por si, tem a oportunidade de, com este modelo, aprender através dum som, associado a um gesto que são universais. E isto é lindo. É ainda mais lindo, quando é visto na prática como as coisas funcionam. E como tal, só podia ter sido desenvolvido por uma professora de Educação Especial. A este alfabeto estão associadas causas de âmbito social que vos aconselho a espreitarem o site.

Este alfabeto pode e deve ser utilizado com qualquer criança (com ou sem dificuldade de aprendizagem!) que está a iniciar o seu caminho na aprendizagem dos sons e das letras. Até porque, é um óptimo instrumento de trabalho para trabalhar a consciência fonológica (consciência fonémica, neste caso).  Eu utilizo com alguma crianças, e posso garantir-vos que os resultados são notórios, já para não falar, da alegria que sentem, saber que também estão a aprender língua gestual, por exemplo.

 

 

Vera Oliveira

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