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Lifestyle, Maternidade

E quando precisamos de fazer um DVL ?(um desliga e volta a ligar a nós mesmos)

Quando criei este blog, o principal objectivo era de expor aqui temas relacionados com a aprendizagem das crianças e adolescentes. Um blog destinado essencialmente a pais e também professores, com uma visão clarificadora das preocupações dos mesmos face aos seus filhos e à escola. Sou psicopedagoga e como tal, é isso que sei fazer ao longo dos quase 14 anos de experiência profissional.

No entanto, desde que fui mãe, temas como a maternidade e a parentalidade, suscitaram em mim um grande interesse, na qual nos últimos dois anos tenho dedicado muito do meu estudo e formação a estes temas.  Continue reading “E quando precisamos de fazer um DVL ?(um desliga e volta a ligar a nós mesmos)”

psicopedagogia

#2 Livros que todos os Pais devem comprar

Sofie Münster, autora deste livro que vos trago hoje, é diretora da maior revista digital sobre parentalidade na Dinamarca – a NOPA – Nordic Parenting. Pena, não perceber uma única palavra. Mas com tradução, deu para perceber os temas interessantes que por lá se escrevem na página do facebook.

Penso que o sub título deste livro “o método dinamarquês para educar crianças felizes e bem sucedidas”, apenas é para alimentar a moda que anda por aí sobre todo um estilo de vida nórdico (que eu tanto aprecio, por acaso). Para quem anda nesta mudança de paradigma da educação e parentalidade positivas, conhecerá os termos que aqui a autora fala sobre como educar as crianças hoje em dia.

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psicopedagogia

Qual a Idade Ideal para Entrar no 1º ciclo?

Será que o meu filho está preparado para entrar no 1º ciclo?

Esta é uma pergunta que muitos pais se colocam e, para a qual, existem uma série de condicionalismos que importa ter em atenção. Principalmente, para aqueles em que os filhos fazem os seis anos depois do 15 de Setembro.

Não é fácil encontrar uma resposta universal, que se adapte à totalidade das crianças, mas o que os estudos demonstram é que o ideal é que entrem com 6 anos já feitos e esse deve ser o princípio a seguir na maioria das situações. Aliás, nos países nórdicos, a entrada no 1º ciclo acontece só aos sete anos.

Mas vamos começar pelo que diz a Legislação Portuguesa:

A matrícula no 1.º ano do 1.º ciclo do ensino básico é obrigatória para as crianças que completem 6 anos de idade até 15 de setembro.

As crianças que completem os 6 anos de idade entre 16 de setembro e 31 de dezembro podem ingressar no 1.º ciclo do ensino básico se tal for requerido pelo encarregado de educação, dependendo a sua aceitação definitiva da existência de vaga nas turmas já constituídas (..)” [Despacho n.º 5048-B/2013].

Teoricamente, o que isto significa é que todos os alunos que façam anos depois de 15 de Setembro são os chamados “condicionais”. Só entram para o 1º ciclo em situações de excepção. (Se houver vaga, por exemplo)

No entanto, na prática, o que acontece na realidade, é que todos os alunos que fazem anos até 31 de Dezembro entram, salvo algumas excepções. Isto acaba por criar pressões nos pais e vai contra o que os estudos científicos demonstram, que é importante que as crianças não queimem etapas e que só avancem quando se encontram efectivamente preparadas para tal.

Nos anos 80, Steve Biddulph, desenvolve uma teoria em que defende que atrasar as crianças um ano para que iniciem a sua vida de estudante apenas após os 6 anos concluídos, será a opção mais benéfica para o aluno. Sugere que as crianças mais novas se sentem inseguras, ansiosas e inadaptadas e que retê-las por um ano, proporcionando-lhes mais um ano de brincadeira, é uma boa forma de lhes dar uma vantagem em relação aos mais velhos.

Os pais, ficam menos tensos em relação a resultados, pois estão a apostar numa criança mais confiante mais autónoma e mais madura.

Um estudo publicado pelos investigadores Thomas S. Dee e Hans Henrik Sievertsen, da Universidade de Stanford,  (2015) chegou à conclusão que as crianças dinamarquesas que entram um ano mais tarde para o primeiro ciclo revelam menores índices de desconcentração e hiperactividade e, consequentemente, denunciam um maior auto-controlo.

Sabe-se, através de vários estudos, que níveis mais elevados de autocontrolo na infância são preditores de maior sucesso nas várias estratégias de  resolução de problemas na idade adulta.

É importante então, desmistificar esta coisa da criança “atrasar” um ano a sua entrada no 1º ciclo.

Os alunos condicionados atrasam ou ganham?

Nunca atrasam! Só ganham! Não há pressas, neste processo de crescer. Até porque, não atrasam, não ficam retidas, não chumbam! Será uma decisão dos pais junto da educadora de infância, da criança ficar mais um ano no pré-escolar.

O que é que os Pais e Educadores de Infância devem avaliar na criança, para perceberem se a mesma está de facto preparada para essa entrada?

  1. Maturidade Cognitiva/Social/Emocional

Para mim, a mais importante competência a avaliar, compreendendo que, à partida, existe uma idade ótima para as aprendizagens escolares, em termos de neurodesenvolvimento: os 7 anos.

É importante observar a capacidade da criança em aspetos tão comuns como o adiar de uma recompensa (gestão do auto controlo); o conseguir esperar pela sua vez; o seguir as regras de convivência; o tolerar a frustração; e ainda a curiosidade/interesse em apreender e perceber que já não é só para brincar.

A criança ter a capacidade de aguardar, de se integrar e trabalhar e brincar em grupo, tudo isto são aspectos de maturação social e emocional muito importantes.

Aqui estão englobadas também, o raciocínio, competências sociais e auto-regulação.

2. Concentração

Umas das coisas importantes a ter em conta é a capacidade da criança em direcionar a sua atenção e manter-se focada na tarefa.

Para além disso, o estar sentada a executar uma determinada tarefa, é um pressuposto importante a considerar quando se entra no 1º ciclo.

3. Consciência Fonológica (Linguagem)

Ou seja, pensar e perceber os sons das palavras. É o que antecede a aprendizagem da leitura!

Como podemos ajudar? Soluçar uma palavra para a criança adivinhar o que estamos a pensar, dividir as palavras em sílabas com batimentos rítmicos (palmas), perceber se as palavras rimam, dizer a primeira sílaba da palavra, encontrar palavras que começam pela mesma sílaba ou o mesmo fonema, evocar palavras com uma sílaba ou um fonema… Tudo isto são exercícios que podem ser feitos em casa e na escola, de forma divertida!

4. Linguagem

A linguagem está entre os preditores mais referidos na literatura sobre dificuldades de aprendizagem. Os obstáculos na articulação, a dificuldade em discriminar sons, na nomeação e na consciência fonológica (noção dos sons da língua, sensibilidade a rimas, cantilenas etc.) resultam muitas vezes em dificuldades na aprendizagem da leitura e da escrita.

Ainda assim, algumas situações relatadas como “troca letras a falar” ou “é muito trapalhão quando fala” podem ser transitórias e ultrapassadas quando encaminhadas para o acompanhamento de um profissional especializado.

5. Interpretação de Textos

As histórias são um importante aliado no desenvolvimento de algumas competências na criança. Desde logo a capacidade da criança desenvolver a imaginação, a compreensão do mundo e a criatividade. Mas para isso a criança terá que os interpretar, terá que perceber um texto, perceber do que fala a história, quais as personagens ou onde se localiza a acção.  E não é difícil de trabalhar esta competência, se a cada história que contamos colocarmos algumas questões. Para além disso estamos a trabalhar a concentração!

6. Psicomotricidade

A motricidade fina, a par com a orientação espacial e percepção visual, são outras competências pré-académicas significativas no sucesso escolar. A noção temporal, a par com a destreza manual e noção do todo do seu corpo, são essenciais estarem adquiridos!

Quanto à matemática, é importante que a criança conte pelo menos dez objectos e que domine o raciocínio necessário para resolver problemas simples, de cabeça, como “O João tinha três berlindes. A mãe deu-lhe mais dois. Com quantos ficou?”.

 

As vantagens e desvantagens, de uma entrada antecipada no primeiro ciclo, associam-se directamente com o nível de desenvolvimento global da criança, com a sua maturidade global, e não especificamente com a sua idade cronológica.

Ainda assim, e para idades no limite face ao previsto na lei, e assumindo um desenvolvimento global dentro, ou acima do esperado para a idade, com aquisições diversificadas em termos de autonomia, linguagem, raciocínio, competências sociais, auto-regulação, entre outras, a possibilidade da criança poder manter o seu grupo de pares de referência, facilitando a adaptação social, é conceptualizada como uma vantagem dessa entrada antecipada.

E, para o sucesso académico, ao contrário da importância que por vezes se dá, a dimensão cognitiva / inteligência não é factor único.

Ou seja, podemos estar perante uma criança que cognitivamente se encontra ao nível dos seus amiguinhos um pouco mais velho, mas que em termos emocionais e sociais poderá não estar preparada – porque não possui estratégias de regulação comportamental, porque não possui um conjunto competências sociais desenvolvidas, porque manifesta ainda uma preferência pelo trabalho lúdico em detrimento da aprendizagem mais formal, porque é ainda muito dependente do adulto.

Devemos retirar a carga negativa à expressão normalmente utilizada de “atrasar” a entrada no 1º ciclo como se os colegas com admissão não condicional avançassem e as crianças com entrada condicional ficassem para trás. Não é verdade! Aqui não há retenções!

Trata-se, fundamentalmente, de evitar que crianças de cinco anos sejam obrigadas a crescer e a acompanhar crianças de quase sete, nos mesmos desafios de escolarização. Trata-se de respeitar o ritmo e as necessidades de faixa etária e de lhes responder de forma adequada a essas necessidades. A criança que fica mais um ano na pré-escola não fica desfavorecida em termos de competição com os colegas que não fizeram esse caminho. Na verdade, interessa é que a criança compita consigo própria, que se supere, que se torne melhor que no dia anterior e que tenha como referencial de sucesso o seu desenvolvimento pessoal e não a competição com os pares.

Os pais devem decidir sem culpas nem tendo em conta pressões sociais. Se decidir que é melhor que o seu filho fique mais um ano na pré-escola pense nos pontos positivos: as crianças têm apenas 5/6 anos para poderem exclusivamente brincar e todo o resto da vida para serem alfabetizados, escolarizados e letrados.

A educação não formal (brincar) é tão importante para o desenvolvimento emocional e cognitivo como a educação formal e absolutamente fulcral nos primeiros anos de vida.

O mais importante é respeitar não o tempo do calendário lectivo mas sim o tempo da criança.

 

Vera Oliveira

psicopedagogia

#1 Livros que todos os Pais devem comprar

Hoje começa uma nova sequela de post’s que irei escrever por aqui – Livros que todos os pais deveriam comprar.

Os dois livros que hoje sugiro são para ser saboreados, folheados de forma aleatória, sem ter que serem lidos do princípio ao fim. São para ser entendidos como fonte de brincadeiras, como fonte de inspiração para brincar com os filhos e saberem o que estão a estimular com “a” brincadeira. São para ser encarados como estimulantes da dinâmica familiar e do apego, do despertar das várias inteligências que as crianças têm e acima de tudo do BRINCAR.  Continue reading “#1 Livros que todos os Pais devem comprar”

Maternidade, psicopedagogia

DIY – Jogos caseiros para estimular o seu filho.

Desde que sou mãe, que me preocupo em procurar boa informação sobre as diferentes fases de desenvolvimento da criança. Enquanto profissional, o meu âmbito de trabalho foi sempre crianças a partir dos seis anos, o que quando me vi com um bebé no colo, fiquei bastante assustada por não saber o que era suposto acontecer naquela fase.

Conhecendo bem a fase de desenvolvimento em que uma criança se encontra, consegue-se perceber mais de metade dos dilemas que acontecem, conseguindo responder de forma mais eficaz, mas acima de tudo, de forma mais segura e tranquila.

Para além de ser importante conhecermos as fases de desenvolvimento é, igualmente importante (mais aliás), desenvolvermos uma relação de verdadeira presença enquanto pais. Estarmos e sermos presentes.

Uma forma natural de fortalecermos esse vínculo é brincando com eles. A nossa presença é o elemento essencial para eles nesse mundo da brincadeira e da partilha. Continue reading “DIY – Jogos caseiros para estimular o seu filho.”

Lifestyle

E tu, em que acreditas?

Trinte e oito anos de vida, treze de experiência profissional e dois anos de maternidade, levam-me a gostar de pensar na vida que vejo à minha volta.

Acredito que há energias boas e energias más. Somos energia. Acredito que o que eu faço e sou para os demais, influencia a sua forma de estar e ser para comigo. O mesmo acontece ao contrário. Acredito que não somos perfeição, mas que a procuramos incessantemente e nos culpabilizamos lá no fundo do nosso íntimo.

Acredito que as crianças merecem e devem ser felizes. Acredito que a escola em Portugal (de uma forma geral) não funciona adequadamente, como está no papel. É burocracia a mais, interesse a menos. São pais que querem que os seus filhos sejam felizes e são escolas que exigem muito. Continue reading “E tu, em que acreditas?”

Maternidade

O egoísmo de não querer ter mais filhos.

Existem três grupos de mães quando falamos em ter filhos. Há aquelas que logo à partida, vão querer mais que um filho, mesmo que a primeira gravidez tenha sido difícil, parto horrível e bebé que não durma nunca. Aquelas que só vão ter um filho, porque não podem, seja por razões de saúde, financeiras, falta de suporte familiar…

Depois há um grupo de mães que não vão ter mais que um filho porque simplesmente não querem.

Eu pertenço a este último grupo.  Continue reading “O egoísmo de não querer ter mais filhos.”